sexta-feira, 20 de novembro de 2009


19/11/2009 - 07h53

Estado de SP fecha primeiro estabelecimento por desrespeito à lei antifumo


Sob resistência do dono, a Vigilância Sanitária fechou na quarta-feira (18) o primeiro estabelecimento no Estado de São Paulo por desrespeito à lei antifumo, em vigor desde agosto.
VINICIUS QUEIROZ GALVÃO

da 
Folha de S.Paulo


A Arábica's, uma choperia de classe média alta de Mogi das Cruzes, que recebe em média 400 clientes por noite, foi interditada por 48 horas, com lacre e tudo, depois de receber a terceira multa e ter os três recursos negados.
Fernando Donasci/Folha Imagem
Fiscais fecham choperia de Mogi das Cruzes (SP) por desrespeito à lei antifumo
Fiscais fecham choperia de Mogi das Cruzes (SP) por desrespeito à lei antifumo
Após lacrar uma entrada lateral, os fiscais tiveram dificuldade de fechar a porta principal, o que só ocorreu depois de muita conversa com o dono, Josef Abboud.
Abboud diz que ainda não havia sido comunicado do indeferimento dos recursos das duas primeiras multas. "Fomos orientados a retirar o teto da área externa de fumantes, o que fiz, e a isolar a área. Pus até uma cortina de vento com exaustor e ainda assim sou multado. O que querem mais? Fui multado por orientação da própria vigilância."
"O dono foi bem orientado várias vezes. Esse foi o primeiro bar a ser orientado nas blitze educativas. Depois das multas, receberam ainda três determinações técnicas por escrito", justificou a diretora regional da Vigilância Sanitária, Lana Daibs.
Os fiscais da lei antifumo dizem ter presenciando clientes fumando narguilé na choperia, além dos cigarros. Outros três estabelecimentos do Estado também estão na iminência de serem fechados depois da terceira multa.
A lei antifumo prevê multa de R$ 792,50 na primeira autuação. Em caso de reincidência, o valor é dobrado. Na terceira vez, o lugar é fechado 48 horas. Em nova insistência, a interdição é por 30 dias.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009


Reação sobre traje de aluna da Uniban divide estudantes
29 de outubro de 2009  19h15  atualizado às 19h27


    Alunos ameaçam agredir jovem de vestido curto



    O episódio ocorrido na última quinta-feira, dia 22 de outubro, na Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban), da unidade de São Bernardo do Campo, no Grande ABC Paulista, em que uma aluna foi ofendida por colegas por vestir trajes considerados "inapropriados" vem dividindo a opinião de estudantes da faculdade. Muitos alunos se disseram surpresos com a situação de agressão que foi gravada, publicada como vídeo no siteYoutube e visitada até o início desta tarde por cerca de 20 mil pessoas. Thiago Damaceno, 23 anos, estudante do curso de Gestão de Rádio e TV, acompanhou todo o trajeto da aluna pela faculdade no momento da agressão. Segundo ele, a estudante, que não teve o nome divulgado, "passou com trajes mínimos pelo corredor e chamou a atenção dos outros alunos". "Estava conversando com um amigo quando a garota passou, e nós a seguimos até a sua sala. Não imaginei que a situação fosse sair do controle", afirmou. "A roupa era inadequada ao local. Ela sbia que estava em ambiente educacional", disse Cláudia Cristina dos Santos, estudante de Educação Física, 37 anos. Já para a aluna de Fisioterapia, Karina Oliveira, 23 anos, "o tamanho da saia não pode justificar a atitude das pessoas". "Não era necessário o tumulto e nem o xingamento. Foi um absurdo", afirmou Karina. Para a estudante de Logística, Keila Graciano, 23 anos, "faltou bom senso". "A menina estava vestida como alguém que ia para uma festa". Keila acrescentou que não era preciso humilhar a garota. "Quer gravar um vídeo grava, mas não xinga", completou. O estudante de Educação Física, Elias Alves, 19 anos, criticou a atitude da menina. "Não foi uma decisão sábia e, pelo que eu me lembre, nem fazia calor. Ela poderia ter evitado toda a confusão". Para sair da faculdade, durante o tumulto da semana passada, a estudante que vestia uma mini-saia cor-de-rosa, teve de sair escoltada por Policiais Militares. Na tarde desta quinta-feira, a Uniban informou que instaurou uma sindicância interna para apurar o episódio e que "pretende aplicar medidas disciplinares aos causadores do tumulto, conforme o seu Regimento Interno, respeitando-se o contraditório e a ampla defesa".


    Chacina ocorrida em Vigário Geral em 1993.

    13/05/2007 - 12h31
    Saiba mais sobre a chacina ocorrida em Vigário Geral em 1993
    da Folha Online

    Um grupo de aproximadamente 50 homens encapuzados invadiu a favela de Vigário Geral (zona norte do Rio) e atirou contra os moradores do local no dia 30 de agosto de 1993. No total, 21 pessoas foram mortas. Nenhum deles tinha vínculos com o tráfico. Entre as vítimas, estavam todos os integrantes de uma família de sete pessoas.
    Somente sete dos 52 PMs acusados formalmente pelo crime foram condenados. Os outros foram absolvidos por falta de provas.
    Para o Ministério Público, o crime foi motivado por vingança. Um grupo de PMs havia invadido a favela para vingar a morte de quatro colegas, assassinados em uma cilada que teria sido montada pelo traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, da facção CV (Comando Vermelho).
    Em 1997, um dos réus, o ex-PM Paulo Roberto Alvarenga, foi condenado a 449 anos e 8 meses de prisão. Por meio de um habeas corpus, ele obteve reconhecimento de crime continuado e o STF (Supremo Tribunal Federal) reduziu a pena para 57 anos. Sua defesa recorreu, alegando que a pena deveria ser inferior a 20 anos.
    Em 2005, ele voltou a ser julgado e foi condenado, por unanimidade, a 59 anos e seis meses de prisão por homicídio duplamente qualificado --por motivo torpe e traição-- e tentativa de homicídio.
    Outro réu que teve dois julgamentos foi o também ex-PM José Fernandes Neto. Em 2000, ele foi condenado a 45 anos de prisão. Em 2005, ele foi condenado a 59 anos e seis meses de prisão, a exemplo de Alvarenga. Durante o júri, Alvarenga e Fernandes Neto alegaram inocência.
    Também em 2005, o TJ (Tribunal de Justiça) do Rio absolveu por unanimidade o ex-policial militar Adriano Maciel de Souza, 38, que era acusado de participar da chacina. Ele havia ficado foragido por 11 anos.

    quarta-feira, 28 de outubro de 2009






    Menino de 5 anos exibe 'músculos de Rambo' e quer recorde



    Pai disse que leva o filho à academia desde que ele nasceu.



    Para ele, exercícios físicos não são prejudiciais para a criança.


    Do G1, em São Paulo



    O romeno Giuliano Stro, de 5 anos, que mora com a família na Itália, treina desde os dois anos e exibe um físico musculoso impressionante para sua idade, segundo reportagem da emissora de TV "ABC News". 

     


    Foto: Reprodução/ABC News


    Giuliano Stro treina desde os dois anos e exibe físico impressionante. (Foto: Reprodução/ABC News)





    Após realizar um número (veja o vídeo) em um programa de TV --andou 10 metros de cabeça para baixo com uma bola de peso entre as pernas--, Giuliano Stro tenta entrar para o Guinness, livro dos recordes, como o menino mais forte do mundo.




    O pai do garoto, Iulian Stroe, de 33 anos, contou ao jornal inglês "Daily Mail" que leva o filho à academia desde que ele nasceu. "Eu sempre levei ele comigo quando estava treinando", afirmou.



    Ele destacou que os exercícios físicos não são prejudiciais para o desenvolvimento da criança, apesar de o filho ter apenas cinco anos. Segundo Iulian, a família não permite que Giuliano treine sozinho e, quando se cansa, ele para.

    domingo, 25 de outubro de 2009


    24/10/2009 - 11h42

    Movimento faz protesto em Copacabana contra violência no Rio de Janeiro


    Atualizado às 17h22.
    colaboração para a Folha Online
    Uma manifestação contra o alto índice de mortes violentas no Rio de Janeiro ocorre na manhã deste sábado em Copacabana. Organizado pelo movimento Rio de Paz, o protesto teve início às 9h30 na rua Figueiredo de Magalhães, na praia de Copacabana e terminou no início da tarde na avenida Princesa Isabel.
    De acordo com o movimento, de janeiro de 2007 a setembro de 2009 --período que compreende 1.000 dias-- houve 20 mil assassinatos no Estado do Rio de Janeiro. Somente na última semana, os confrontos entre traficantes de drogas e a polícia deixaram pelo menos 41 mortos.
    Para chamar atenção para os dados, os voluntários vão desfilar pela avenida Atlântica como se estivessem mortos dentro de 20 carrinhos de supermercados, simbolizando a média diária de assassinatos.
    Na semana passada, policiais militares encontraram o corpo de um homem em um carrinho de supermercado na rua Luiz Barbosa, um dos acessos ao morro dos Macacos, em Vila Isabel, na zona norte do Rio.
    Outros levaram bandejas com 20 mil grãos de feijão, totalizando o número de mortes violentas no período.
    Segundo o coordenador executivo do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, o objetivo da manifestação é despertar a consciência de que a redução da violência no Rio não é tarefa apenas do poder público, mas de toda a população.
    O movimento ainda pretende conseguir uma audiência com o secretário de Segurança Pública para apresentar propostas no que se refere ao tema da segurança.
    Silvia Izquierdo/AP
    Manifestantes fazem protesto contra a violência na praia de Copacabana, no Rio; confrontos deixaram 41 mortos
    Manifestantes fazem protesto contra a violência na praia de Copacabana, no Rio; confrontos deixaram 41 mortos

    sábado, 24 de outubro de 2009


    23/10/09 - 07h00 - Atualizado em 23/10/09 - 07h00

    Moradores levantam muro para garantir a segurança de bairro em Divinópolis

    Construção tem três metros de altura.
    Obra é irregular, mas prefeitura não pretende demolir.

    A falta de segurança levou os moradores de um bairro de Divinópolis (MG) a construir um muro na rua para tentar se proteger da ação dos criminosos.Nem o cachorro bravo e os cadeados por todos os lados impediram que a casa da técnica de enfermagem Evana Santos fosse arrombada três vezes neste ano.“Eu tive que deixar um emprego para ficar tomando conta da casa. Tudo o que a gente colocava, os ladrões roubavam”, disse.Por vários anos, os moradores esperaram uma solução das autoridades. “Chamamos a polícia, procuramos a prefeitura, mas não adiantou”, afirmou o morador Mauri Azevedo.
    Cansados de promessas, os moradores decidiram resolver o problema. “A gente se uniu para fazer o muro e a segurança ficou bem melhor”, contou o empresário João Carlos Júnior.
    O paredão de três metros de altura protege o fim da rua, que fica às margens de um rio e do pátio da prefeitura. A Polícia Militar informou que, desde agosto, a segurança no bairro foi reforçada. E que de lá para cá, houve uma redução de 70% nos crimes violentos, em relação ao ano passado.
    Segundo a Secretaria de Operações Urbanas de Divinópolis, o muro é irregular. Mas a prefeitura não pretende demolir a construção antes de conversar com os moradores e com o Ministério Público.

    sexta-feira, 23 de outubro de 2009





    23/10/2009
    "Jornalista, para de tremer; se quiséssemos, você já estaria morto": O repórter de El País entra no Morro dos Macacos

    Francho Barón
    No Rio de Janeiro (Brasil)


    O percurso no interior de um táxi pela chamada faixa de Gaza da favela Nelson Mandela, na zona norte do Rio de Janeiro, serve para pouco, já que a operação iniciada esta semana pela Polícia Militar já terminou. Também não há movimentos notáveis nas favelas de Manguinhos e Jacarezinho, nas quais a polícia também entrou nas últimas horas, detendo os suspeitos e apreendendo drogas e armas. 
    A ofensiva contra o narcotráfico que começou no último fim de semana nesses subúrbios deixou tudo de pernas para o ar e já se contam mais de 33 mortos. Não é que a miséria tenha uma aparência diferente, mas hoje as pessoas caminham mais depressa pela rua e procuram não se expor demais a um provável tiroteio. É a face mais sombria e angustiante do Rio de Janeiro.
    Helicóptero da PM sobrevoa o Complexo do Alemão durante operação de combate ao tráfico 
    São cerca de 14 horas de terça-feira e o acesso principal à favela Morro dos Macacos, o lugar que no sábado se transformou em zona de guerra - os traficantes chegaram a derrubar a tiros um helicóptero da polícia -, aparenta normalidade. Só há um patrulheiro da Polícia Militar com três uniformizados à espera de substituição. Parece tranquilo, como se nada tivesse acontecido ultimamente.
    Identifico-me como jornalista e pergunto se no interior da favela há patrulhas policiais. Um agente me responde que não pode dar essa informação. Pergunto se a situação está sob o controle da polícia, como os responsáveis máximos pelas forças da ordem do Rio haviam garantido à imprensa dois dias antes. "Não posso dizer. Aparentemente está tranquilo, mas não posso garantir nada. Se o senhor entrar é sob sua responsabilidade", diz o policial, amável.
    Operações da polícia nos morros do Rio prendem 41 pessoas; os confrontos já resultaram em 33 mortes
    A Polícia Militar prendeu nesta quinta-feira (22) mais duas pessoas durante uma operação na favela da Cidade Alta, no bairro de Cordovil, zona norte do Rio de Janeiro. Eles são acusados de participar da tentativa de invasão ao Morro dos Macacos, em Vila Isabel, no último sábado. Com isso, o número de pessoas presas subiu para 41. Cinco menores também foram apreendidos. Durante a ação, foram encontradas 223 trouxinhas de maconha, 362 sacolés de cocaína, 68 pedras de crack, 19 bolinhas de haxixe e uma pistola. Os confrontos entre traficantes e policiais nas principais favelas cariocas já duram uma semana e mataram ao menos 33 pessoas
    Decido ir até a parte baixa da favela, só o primeiro trecho da artéria principal, para falar com alguns comerciantes sobre o que aconteceu no último fim de semana. Contam que a escola que se avista assim que se entra, à direita, já reiniciou as classes, embora as portas estejam fechadas. Na rua não se vê muito movimento, e só algumas pequenas lojas de quinquilharias funcionam a essa hora. Uma moradora diz que permaneceu trancada em sua casa todo o fim de semana.
    "É preciso ser louco para sair", explica, enquanto seus olhos me perscrutam com uma mistura de curiosidade e desconfiança. Um pouco mais adiante, em frente a um pequeno bar, há um sofá destripado sobre uma espécie de calçada. Levanto o olhar sobre o móvel e na parede leio "Alô, drogas mil. ADA". "Amigos dos Amigos" é o nome da facção criminosa que controla o Morro dos Macacos. Com esses grafites os narcotraficantes marcam seu território.
    São 14h 30. Um pouco mais adiante, e a cerca de 250 metros da entrada da favela, faço minha última parada. No lado esquerdo da rua distingo uma pequena praça cercada e rodeada por pequenos bares e barracas de comida, a maioria já fechada. O fato me chama a atenção e me aproximo de um dos únicos locais que funcionam para perguntar por que quase ninguém está trabalhando. O encarregado, de cerca de 50 anos, está ocupado preparando sorvetes para duas garotas, uma adolescente e outra de menos de 10 anos.
    Depois de me apresentar, menciono a situação do fim de semana e pergunto se é verdade que parte da invasão protagonizada pelo bando criminoso Comando Vermelho ocorreu por aquele acesso principal. 
    "Não houve nenhuma invasão. Foram os policiais militares que os trouxeram até aqui dentro do caveirão (carro blindado) e depois os soltaram", responde a adolescente, sem esconder seu mal-estar por minha presença. O comentário é absurdo e parece a versão dos fatos dos criminosos locais. A menina recua alguns passos e comenta algo com um rapaz de sua idade que está no lugar. Não consigo ouvir o que dizem.
    Não passa muito tempo e se aproxima um indivíduo de 40 a 50 anos, sem camisa e de cabeça raspada. Reparo em seu pendente: o dente de algum animal de grande porte. Depois de nos cumprimentar, aparecem atrás dele vários rapazes armados com pistolas automáticas e fuzis de assalto. Minha primeira reação é encolher a cabeça, colocar as mãos na nuca e me ajoelhar diante deles. Irracionalmente, lhes dou as costas porque não suporto a imagem das pistolas apontadas para mim. O medo me invade. Tenho na minha frente o dono do local sentado numa cadeira, em estado de pânico.
    PMs levam pertences de coordenador do AfroReggae assassinado no domingo; veja
    Gravações captadas por câmeras de segurança de prédios no Rio de Janeiro registraram imagens dos homens que mataram Evandro João Silva, coordenador da Equipe Técnica Social do grupo cultural AfroReggae. As imagens mostram o assalto realizado por dois homens e o ataque que culminou na morte de Silva. As câmeras flagraram ainda que a polícia passou por onde Silva estava após ser baleado, mas que não socorreu a vítima. Outra imagem registra o momento em que um dos PMs carrega os pertences roubados para dentro da viatura e, pouco depois, libera um dos criminosos
    O homem do pendente, o líder, me levanta do solo. Todos falam e gritam ao mesmo tempo. Tenho uma pistola de grosso calibre encostada à testa. Reconheço dois subfuzis UZI. Todos são muito jovens. Dois rapazes me revistam. O chefe se dirige a mim: "Agora você vai nos dizer quem é e o que está fazendo aqui".
    "Sou jornalista e vim falar com alguns moradores sobre o que aconteceu durante o fim de semana." O português se enrola na minha garganta, de medo.
    "Se estiver mentindo o matamos aqui mesmo."
    Tiram da carteira minha credencial de jornalista e minha identidade espanhola. O de cabeça raspada estuda a documentação enquanto alguns traficantes defendem a gritos que me executem na mesma hora. "Tirem-no daí e levem-no para o centro da praça", resolve o chefe. Enquanto me empurra, um dos rapazes me diz ao ouvido: "Se você for um desses jornalistas que mandam reportagens sobre nós... vá se preparando". Um suor frio escorre por minhas costas. Então o líder fala: "Jornalista, para de tremer, porque se quiséssemos você já estaria morto".
    São as primeiras palavras um pouco tranquilizadoras. Revistam minha caderneta de anotações e meu telefone celular e tiram do bolso de minha camisa um pequeno gravador digital. Um dos rapazes tenta convencer os outros de que o gravador é uma câmera oculta. No meio da gritaria e com uma UZI apontada para meu estômago, lhes imploro misericórdia e tento explicar que no gravador não há nenhum material que possa comprometê-los. Consigo manipular o aparelho até que toca a última entrevista gravada nessa manhã com um conhecido especialista brasileiro em pobreza. O líder conclui que devo ser libertado. Devolve minha carteira e meu material de trabalho. Mas me assalta o pressentimento de que nem tudo terminou.
    Minha intuição não falha. Aparece um indivíduo que aparenta ser outro líder do narcotráfico local, este muito mais jovem e um pouco mais gordo, e também muito mais agressivo. Ele dá ordem de que eu seja retido e se aproxima. Encarando-me, pisa o meu pé direito e rasga minha camisa. Outros dois me aplicam alguns golpes na cabeça e me sacodem, o recém-chegado busca como um possesso alguma câmera. Não encontra nada, mas tira meu telefone e o gravador e diz: "Corra rua abaixo e não olhe para trás se não quiser que o matemos". Eu acato a ordem. Percorridos alguns metros, ouço gritos: "Ponha a camisa ou disparo!" Visto-me apressadamente mas não consigo abotoá-la. 
    A polícia patrulha o morro dos Macacos, no Rio de Janeiro, palco de conflito com os traficantes 
    São mais de 14h40. Quando saio da favela, me aproximo dos policiais que assumiram o turno. "Me detiveram durante dez minutos. Quase me mataram."
    "Tinham muitas armas?"
    "Sim, muitas. E eles também eram muitos."
    "Continuam aí dentro..."
    Cai a madrugada e olho absorto para uma foto comovente publicada na edição digital de um veículo de mídia local: dentro de um carrinho de supermercado abandonado em um dos acessos ao Morro dos Macacos, há um homem executado a tiros com o rosto desfigurado. A foto foi tirada duas horas depois de minha libertação. Na imagem há vários curiosos tirando fotos com celulares, e em primeiro plano se distingue uma garota que observa a cena de costas para a câmera. Pela roupa e pelo cabelo, eu poderia jurar que é a mesma que pouco antes pôs em risco minha vida.



    22/10/2009 - 10h06

    Concurso para garis atrai 22 mestres e 45 doutores no Rio


    Com inscrições abertas desde o dia 7, o concurso público para a seleção de 1.400 garis para a cidade do Rio já atraiu 45 candidatos com doutorado, 22 com mestrado, 1.026 com nível superior completo e 3.180 com superior incompleto, segundo a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana).
    Para participar do concurso, basta ter concluído a quarta série do ensino fundamental. As inscrições terminam amanhã.
    Somados, os candidatos que já passaram pelos bancos de universidades representam quase 4% dos 109.193 inscritos até anteontem. Os anos de estudo a mais, porém, não devem colocá-los em vantagem na disputa --a seleção é feita por meio de testes físicos, como barra, flexão abdominal e corrida.
    Aqueles que forem contratados trabalharão 44 horas por semana e receberão salário de R$ 486,10 mensais, tíquete alimentação de R$ 237,90, vale-transporte e plano de saúde. A remuneração poderá ser acrescida ainda de um adicional por insalubridade.
    Aluno do segundo período de história da Estácio de Sá, no Rio, Luiz Carlos da Silva, 23, disse ter ouvido muitos comentários preconceituosos dos colegas quando contou que disputaria uma vaga de gari.
    "Disseram que eu era maluco, que eu ia ficar fedendo a lixo... Mas a faculdade hoje não garante emprego nem estabilidade para ninguém. Eu quero segurança", diz ele, que, no entanto, planeja continuar estudando para no futuro trocar o trabalho de gari pelo de professor de escola pública.
    "Meu sonho é dar aula, é o que eu gosto de fazer", afirma o estudante de história.
    Já Ronaldo Carlos da Silva, 42, ex-aluno do curso de letras da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), vê no concurso de gari a chance de reorganizar a vida, após um ano de desemprego.
    Se for bem-sucedido, pretende voltar à sala de aula, que teve de abandonar quando ainda estava no terceiro período do curso -sem trabalho fixo, tinha dificuldades até para pagar o transporte para ir à universidade. Insatisfeito com a faculdade de letras, porém, quer cursar direito. "Vou fazer um curso preparatório", planeja.
    Também desempregada, Thaiane do Prado Gomes, 21, estranhou ao ouvir que iria disputar vagas com pessoas com curso superior e até mestrado e doutorado. "Isto aqui é para quem não tem escolaridade. Para os outros tem mais oportunidade. Eu mesma, que completei o segundo grau, fiquei na dúvida se devia me inscrever."

    Corpo de jovem morto carregado num mísero carrinho de supermercado. Real e Bizarro.


    Helicóptero da PM que foi derrubado por traficantes no Rio de Janeiro. Real e Bizarro. 


    22/10/2009 - 07h00

    Assimilamos níveis de barbárie cada vez maiores, diz especialista


    Fabiana Uchinaka
    Do UOL Notícias
    Em São Paulo

    O uso da violência alcançou uma proporção tão exagerada no Rio de Janeiro que passamos a achar natural e inevitável que um corpo seja colocado em um carrinho de supermercado e exposto no meio da rua. A análise é do coordenador do Observatório de Favelas, Jailson de Souza, que culpa a corrida armamentista --tanto dos criminosos, quanto da polícia-- pela situação de guerra que a cidade enfrenta hoje.

    "Não é a primeira vez que isso acontece. O que vemos é uma superação dos limites e um recrudescimento da violência. Vamos assimilando níveis de barbárie cada vez maiores. Desta vez,um helicóptero foi derrubado. Vai chegar o dia em que um caveirão será destruído pelos criminosos", disse, comentando os conflitos que resultaram na queda de um helicóptero da PM no sábado (17).

    Na tarde desta terça-feira (20), o corpo de um homem não identificado, executado com tiros, foi encontrado dentro de um carrinho de supermercado em um dos acessos ao morro dos Macacos, palco de intensos confrontos entre facções rivais que disputam pontos de venda de drogas. Segundo moradores, o morto seria um criminoso ligado ao Comando Vermelho (CV).

    Souza lembrou que em maio de 2004, um pai usou um carrinho de supermercado para levar o corpo de seu filho de 14 anos até o pé do morro do Zinco, na zona central do Rio. Um mês antes, o corpo de um suposto traficante morto em confronto com a polícia na Rocinha, na zona sul, foi carregado em um carrinho de mão.

    Corrida armamentista

    O especialista afirma que enquanto não colocarem um fim à política bélica, dos agentes se armarem cada vez mais para enfrentar pessoas também cada vez mais armadas, nenhum problema será resolvido e a situação no Rio de Janeiro só vai piorar.

    "Desde a década de 80, a polícia insiste nisso e o número de mortos só cresce. Temos 6.000 mortes todos os anos no Rio. O número de desaparecidos aumentou de 4.000 para 9.000 em cinco anos. Isso significa que muitas pessoas foram assassinadas e tiveram o corpo ocultado pelos criminosos", destaca. 
    Segundo ele, o primeiro passo para que as coisas mudem é reconhecer que esse é um modelo falido. "Depois, a polícia precisa agir com inteligência e prevenir os problemas, prender os líderes do crime e desarticular permanentemente o poder paralelo. A polícia tem que chegar antes e não depois que a guerra já explodiu", afirma.
    Além disso, defende, o Brasil precisa de uma política efetiva de combate ao tráfico de armas. "As armas que derrubaram o helicóptero são facilmente detectáveis e mesmo assim foram contrabandeadas. A sociedade só tem olhos para o tráfico de drogas, mas é preciso combater o acesso às armas". 
    Souza é contra a intervenção das Forças Armadas no Rio de Janeiro. Ele lembra que quando houve a ocupação do morro do Alemão, em 2007, 19 pessoas morreram. "Agir como a Polícia Militar já faz não adianta nada", ressalta.
    Ele afirma ainda que, no longo prazo, o maior desafio é recuperar a soberania do Estado e articular diferentes instâncias, passando pela integração das polícias e pelo envolvimento real da sociedade.
    "É preciso querer mudar. Não podemos achar que a barbárie é inevitável. Não podemos desumanizar. Houve uma privatização da soberania, porque o Estado perdeu o controle dos territórios. Os grupos criminosos se sustentam pelo domínio dessas áreas e são eles que definem a ordem social. Hoje, esses territórios estão nas mãos das milícias e do tráfico de drogas. Para que isso mude, é preciso um processo de pressão muito maior", conclui.


    quinta-feira, 22 de outubro de 2009

    21/10/2009 - 20h30
    Jovem que forjou o próprio sequestro para a mãe é presa em Brasília
    Do UOL Notícias
    Em São Paulo
    Uma jovem de 18 anos que forjou o próprio sequestro foi presa na terça-feira (20) em Brasília. Ela chegou a pedir um resgate de R$ 8.000 para sua mãe, segundo informações publicadas pelo jornal "Correio Braziliense". Ela foi presa em uma pousada na Asa Norte e, caso seja condenada pelo crime de extorsão, pode ficar até dez anos na cadeia.
    Identificada apenas como Antônia, a jovem saiu de casa na manhã da última segunda (19) para ir à faculdade, onde cursa o segundo semestre de direito, e minutos depois ligou para a mãe falando que era um sequestrador. Ainda segundo o jornal, a mãe suspeitou que estava sendo vítima do golpe de falso sequestro e tentou ligar para o celular da filha, que não atendeu. Em seguida, ela se dirigiu à faculdade, onde também não encontrou a jovem, e seguiu para a delegacia.
    A polícia rastreou a ligação e encontrou a menina. Ao ser abordada pelos policiais, Antônia afirmou que os sequestradores já tinham ido embora e que ela não deixou o local por medo. Por fim, a jovem confessou o crime e disse que forjou o sequestro para saber se a mãe realmente gostava dela. Aos amigos e ao namorado, a menina disse que viajaria ao Maranhão para visitar a avó, que está doente.
    De acordo com o "Correio Braziliense", como recebeu diversas ligações e uma chamada de texto, a mãe chegou a tentar reunir o dinheiro para pagar o resgate.
    Menina de 11 anos é suspeita de matar vizinha de 6 em SP




    A Polícia Civil de Assis (a 434 km de São Paulo) investiga o caso de uma menina de seis anos morta a facadas na manhã desta quarta-feira em um terreno baldio no Jardim Três Américas. Segundo a polícia, uma amiga de 11 anos da criança confessou ter esfaqueado a colega enquanto elas comiam frutas no local.
    De acordo com informações da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) da cidade, duas pessoas ouviram os gritos da vítima e foram até o terreno para socorrê-la. Uma delas disse à polícia ter visto a menina mais velha fugindo. A criança de seis anos não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
    Pouco depois, a amiga foi encontrada com a tia, com quem ela mora, e encaminhada à delegacia para prestar esclarecimentos. Assustada, ela contou à polícia que as duas comiam frutas no terreno, quando a mais nova caiu sobre a faca usada para descascá-las.
    A menina, então, teria dado outro golpe de faca contra a amiga, mas a polícia não soube informar o que motivou a ação.
    Ainda segundo a DIG, as testemunhas disseram que não viram mais ninguém no terreno além das crianças --que eram vizinhas e costumavam brincar juntas com frequência. A polícia, no entanto, informou que ainda aguarda o laudo para concluir as investigações.
    A menina de 11 anos foi encaminhada à Vara da Infância e da Juventude, que acompanha o caso.
    da Folha Online

    21/10/2009 - 08h40

    Espancamento de 'bruxas' em vilarejo choca a Índia


    Cinco mulheres foram despidas, espancadas e forçadas a comer excrementos humanos por moradores de um vilarejo na Índia após serem acusadas de bruxaria.
    A polícia local disse que as vítimas eram muçulmanas viúvas que foram chamadas de bruxas por um clérigo local no Estado de Jharkhand.
    Correspondentes da região dizem que o abuso a mulheres acusadas de bruxaria é relativamente comum na Índia, mas a divulgação de um vídeo com o ataque, ocorrido no domingo no distrito de Deoghar, provocou um escândalo em todo o país.













    Policiais foram deslocados até o vilarejo de Pattharghatia após serem informados sobre o incidente por um grupo de moradores.
    Um grupo de 11 moradores, incluindo seis mulheres, foi indiciado pelo ataque. Quatro pessoas foram presas.
    Proteção policial 
    "No domingo de manhã as vítimas foram levadas a um playground, onde centenas de pessoas haviam se concentrado para assistir ao terrível incidente", afirmou à BBC Murarj Lal Meena, diretor-geral adjunto da polícia.
    "Ninguém na multidão foi socorrer as vítimas enquanto elas eram despidas e espancadas", afirmou.


    As vítimas estão agora sob proteção policial.


    Segundo a polícia, os moradores de Pattharghatia acreditam que certas mulheres no vilarejo são possuídas por um "espírito santo" que pode identificar as pessoas que praticam bruxaria.
    "Essas mulheres recentemente identificaram cinco mulheres do vilarejo como bruxas que estariam praticando feitiços que estariam trazendo problemas para a área", disse um policial.
    As mulheres foram então retiradas à força de suas casas, arrastadas até o playground e espancadas.
    A imagem do incidente foi transmitida por vários canais de TV na Índia, provocando um grande escândalo no país.
    Centenas de pessoas, em sua maioria mulheres, já teriam sido mortas no país por terem sido identificadas como bruxas por seus vizinhos.
    Especialistas dizem que crenças supersticiosas estão por trás dos ataques, mas que há ocasiões nas quais as pessoas, especialmente as viúvas, são alvos dos ataques para a apropriação de suas terras e de suas propriedades.